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Let your feelings show [entries|archive|friends|userinfo]
girliesetsfire

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Tempo [Sep. 18th, 2005|05:08 pm]
[mood |calmcalm]
[music |the juliana theory - Leave like a ghost (drive away)]

O tempo... muito se escreve e pensa sobre ele... e muitas voltas se dão a tentar esticá-lo, ou ao contrário, a tentar saltar por cima das horas, na ansiedade e na espera de algo.
Neste momento para mim o tempo é um quebra-cabeças, com horários pouco definidos, prazos que fazem-se anunciar de repente.
Tempo para ti e para nós vou ter sempre. É só isso que sei...
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Adeus [Jun. 19th, 2005|05:43 pm]
[mood |touchedtouched]
[music |Blink - lost without you]

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tinhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas;
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo:meu amor.
já se não passa absolutamente nada.

E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo
E já disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade



Pequena homenagem a um poeta que desapareceu, mas que ficará para sempre nas páginas dos livros, nas palavras sussuradas dos seus poemas.
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Paixões [May. 30th, 2005|12:46 pm]
[mood |determineddetermined]
[music |when rhetoric dies - Boy sets fire]

Sou uma apaixonada. Sou. Nem faz sentido viver uma vida sem o ser. Sem acordar de manhã e desejar estar noutro sítio, onde o nosso amor está. E dizer "Adoro", e dizer "Odeio", e "detesto", porque a vida é assim, para se viver intensamente... (mesmo que isso às vezes implique desatar a chorar por uma desilusão pequenina).

Há mil coisas no mundo para nos mover. Tristes dos que ficam agarrados ao chão sem se deixarem levar por um vento que sopra mais forte que a brisa de todos os dias...
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(no subject) [Mar. 27th, 2005|08:45 pm]
[mood |shockedshocked]

No Paquistão, Junho de 2002, Mukhtaran Bibi foi vítima de violação colectiva, como castigo pelo facto de o seu irmão de 14 anos ter sido visto com uma mulher de casta superior.

Notícia da revista do Expresso, de 12 de Março:

"Três dos quatros homens condenados à forca pela violação colectiva com que Mukhtaran Bibi foi castigada (...) acabam de ver as penas anuladas por recurso ao tribunal de Multan.
O quarto homem cumprirá prisão perpétua, mas é Mukhtaran Bibi, agora com 30 anos, que vê aumentarem as possibilidades de concretização das ameaças de morte de que é objecto por parte da família "ofendida" com as penas decretadas e que, até agora, justificam a presença de guarda 24h por dia na casa onde vive.
Foi um mundo sensibilizado pelos atentados do 11 de Setembro que premiou a coragem de Bibi em tornar público as causas da desgraça que acabava de lhe comprometer o futuro. A perspectiva para um caso de violação pública como este é o suicídio. Mas Mukhtaran Bibi decidiu viver, acusar os responsáveis e propagar a ideia, chocante naquele contexto, de que vergonhoso é o crime de violação - e não ser vítima dele.
A história de Mukhtaran correu os media internacionais e o presidente Pervez Musharraf propôs a Mukhtaran Bibi uma nova vida em Islamabad, onde ninguém conheceria a sua história, e atribuiu-lhe uma compensação equivalente a cerca de 6 mil euros. Bibi preferiu ficar em Meerwala e empregar o dinheiro na fundação da primeira escola da aldeia para raparigas. Para que possam conhecer e defender os seus direitos no futuro."

O governo paquistanês foi esquecendo as ajudas. Actualmente, é Bibi quem paga os guardas que a protegem, e a escola mantém-se aberta graças a doações.


Este mundo imenso não pára de me chocar, de me enojar às vezes.
E as pessoas, capazes do melhor e do pior, não param também de me surpreender, em exemplos de coragem que fazem tudo parecer pequenino e tão grande ao mesmo tempo...
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De regresso do "paraíso"... [Mar. 18th, 2005|08:38 pm]
[mood |nostalgicnostalgic]
[music |don omar - pobre diabla]

Quando tudo corre bem e fica assim guardado num canto especial da memória, parece que é mais difícil escrever...
Acho que é por isso que, depois de tudo o que aconteceu em Cuba, numa semana inesquecível, olho para o ecran e não consigo formar uma frase que seja minimamente fiél a tudo o que se viveu por lá.
Adorei a viagem do princípio ao fim - o sítio, as pessoas, as músicas, as bebidas, os petiscos, os passeios, e, claro, a companhia.

É óptima a sensação de ter realizado um velho sonho, de ter crescido e mudado também, um pouco.
Tenho saudades daquela simpatia, da descontração, da alegria...
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(no subject) [Feb. 27th, 2005|08:02 pm]
[mood |amusedamused]
[music |banda sonora Lord of the rings]

Eu já sabia que a mente humana é capaz de coisas sublimes, rebuscadas, e que a imaginação não tem limites. Mesmo assim, continuo a maravilhar-me com esta capacidade só nossa, de criar, sonhar, imaginar mundos e realidades completamente diferentes e até inverosímeis...
Podem achar que chego a estes fenómenos atrasada, mas a verdade é que, nestas últimas semanas, ando imersa no mundo de J.R.R.Tolkien e da saga de "O Senhor dos anéis".
Já tinha visto os filmes, corri para o cinema na estreia do 2º e do 3º episódios, mas foi agora, com a leitura dos livros, que este mundo se abriu para mim até aos tais confins da imaginação humana, neste caso da imaginação dum velho escritor britânico, que criou na sua cabeça um mundo de outras eras, outras línguas, outras paragens, outros povos.
Confesso que o meu maravilhamento não se fica pelos livros... agora, depois de conhecer a história tal como se desenhou na mente do autor, vejo os filmes ao mínimo pormenor, e, quanto mais isso acontece, mais me convenço que, pelo menos aos meus olhos, estamos perante uma grande produção!! Tudo é pensado ao último detalhe, os actores estão perfeitos nas suas personagens, a paisagem é tal e qual como imaginávamos... até eu, que estou sempre a pensar onde estava a câmara naquele momento, porque é que escolheram aquele plano, (e outras questões técnicas), esqueço-me completamente que é uma criação e mergulho ali, no meio daquele mundo onde tudo é diferente - as árvores falam e andam, há raças imortais que não conhecem a doença, grandes reinos cheios de lendas, cantigas em línguas exóticas, seres pequenos com pés grandes e peludos...

A escrita é sem dúvida uma actividade espantosa, sobretudo quando sai assim, duma mente tão rica. E quando essa escrita vive à frente dos nossos olhos como vivia nas imagens desencadeadas na nossa cabeça não dá para deixar de experimentar uma sensação envolvente, quase mágica.
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O início do fim de um começo... [Feb. 21st, 2005|03:48 pm]
[mood |sleepysleepy]
[music |K´s Choice - almost happy]

Hoje foi o 1º dia duma etapa que está a acabar... devagarinho.
Boa e má ao mesmo tempo, a mudança que está a chegar é muito esperada mas é também como um doce que se leva á boca com medo que tenha um travo amargo.
Acho que custa sempre mudar, se calhar é só isso. E custa crescer e não poder pensar eternamente que, se não apetecer ir ver as mesmas pessoas, ouvir as mesmas coisas, fazer os mesmos caminhos, é fácil ir para outro lado, faltar, passear ou ficar simplesmente em casa, no quentinho.
E custa deixar uma existência certa, uma coisa boa, por um futuro que se desconhece, com poucas garantias, poucas certezas.
Haja vontade de que dê tudo certo, ansiedade de ver o que ainda está para vir, e esperança de continuar a aprender e de fazer o que se sonha há tanto tempo.
Ao menos isso, no meio desta nostalgia antecipada, é o que não falta.
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Estereótipos [Feb. 14th, 2005|10:29 am]
[mood |hopefulhopeful]
[music |anberlin - Paperthin Hymn]

Não gosto que digam que os portugueses são um povo pessimista, que os ingleses são frios, que os franceses são arrogantes, que os brasileiros são os mais alegres, que as mulheres são mais delicadas, que os homens são mais fortes, que os gatos são antipáticos, que os nativos de touro são teimosos, os gémeos fala-barato, os virgens tímidos.
Não gosto de estereótipos!
E para além de achar que são muito redutores, não gosto de estereótipos principalmente porque, por darem tanto jeito, tendemos a recorrer a eles vezes e vezes sem conta!!
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viajar viajar e viajar [Jan. 10th, 2005|12:33 pm]
[mood |cheerfulcheerful]
[music |g.a.s. drummers - re-discovering life]

É remédio santo para sacudir as poeiras e ficar com uma sensação diferente cá dentro, de tempo bem aproveitado e dinheiro bem gasto. Acho até que era uma boa receita para os médicos passarem a algumas doenças e apatias, especialmente quando a companhia é perfeita - viajar.
Partimos com aquela ansiedade de ir para um sítio diferente e desconhecido, e uma vez lá parece que achamos tudo mais bonito, reparamos (ou pelo menos tantamos reparar) em todos os pormenores, queremos aproveitar o tempo ao máximo e ver tudo o que conseguirmos.
Melhor ainda é irmos para um sítio novo mas onde conhecemos velhas caras amigas, que nos fazem companhia e nos ajudam a descobrir os melhores spots e os cantos mais escondidos.
Foi por isso que estes 3 dias foram tão bons, embora tenham fugido tão depressa.
Dava vontade de continuar a conduzir pela estrada fora.
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É Natal!!! [Dec. 21st, 2004|02:18 pm]
[mood |energeticenergetic]
[music |let it snow let it snow let it snow]


Aqui está uma das minhas épocas preferidas do ano - o Natal. Parece que fica tudo mais bonito: as ruas iluminam-se (passear na Baixa por esta altura é uma perdição), as casas ficam mais bonitas e acolhedoras, até das músicas gosto!! É mesmo daquelas alturas em que só apetece andar na rua, de luvas e cachecol, a andar, a passear, a namorar.

Confesso que não gosto lá muito de ir comprar os presentes mesmo mesmo em cima da hora, porque me faz confusão os encontrões, as filas intermináveis, o stress. O Natal tem de se saborear... é por isso que tento fazer as compras com alguma antecedência. Gosto de escolher com tempo e assim posso prolongar o prazer de oferecer presentes. Por outro lado, quando estou aqui em casa, ansiosamente à espera da meia-noite, gosto de saber que os meus amigos, a família, o love, têm lá um gesto meu debaixo da árvore, para desembrulhar à mesma hora.

Ainda hoje estive a embrulhar os últimos presentes, e pronto, já fiquei com esta boa disposição enorme, cheia de energia e uma ansiedade tola que agora só passa depois de dia 25.

Além do mais,com o pretexto de trocar as prendas, até se aproveita para estar uma tarde com pessoas que não vemos tantas vezes como gostaríamos.


É só magia, o Natal.
Para mim só falta a neve.

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"deviam chover lágrimas quando o coração pesa muito" [Dec. 10th, 2004|05:23 pm]
[mood |uncomfortablecom dores no rim!]
[music |sunday - jimmy eat world]

António Lobo Antunes tem o dom de conseguir dizer o que não conseguimos pôr em palavras.
Aquela sensação de desilusão, tristeza, solidão, às vezes desespero, em que parece que nos vemos no meio duma rua cinzenta com uma nuvem que chove só em cima de nós, nunca tinha pensado nisso como ele o pôs na crónica desta semana: "deviam chover lágrimas quando o coração pesa muito".
Sim, deviam. Se quando dói, dói com tanta força, porque é que havemos de senti-lo apenas cá dentro, sem que o mundo páre para chorar connosco?
É como quando estamos felizes. Dá vontade de ver e pôr tudo bonito, e quase não dá para entender porque é que as pessoas não andam todas com um sorriso, a sentir o sol na cara e a aproveitar mais um dia.
Se chovessem lágrimas quando estamos tristes, devia estar sol quando estamos felizes.
Prefiro este último cenário.
Até porque gosto mais de sol do que de chuva.
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